Blog

Blog
Mostrando postagens com marcador empatia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador empatia. Mostrar todas as postagens

O poder diminui a empatia? Estudiosos dizem que sim.



matéria publicada na npr por by CHRIS BENDEREV

Mesmo a menor dose de poder pode mudar uma pessoa . Você provavelmente já viu isso. Alguém recebe uma promoção ou um pouco de fama e , de repente, ele se torna um pouco menos amigável com as pessoas abaixo dele.
Então aqui está uma pergunta que pode parecer muito simples : Por quê?
Para Sukhvinder Obhi , neurocientista da Wilfrid Laurier University , em Ontário , no Canadá, a explicação é porque o poder muda fundamentalmente a forma como o cérebro funciona .
Obhi e seus colegas, Jeremy Hogeveen e Michael Inzlicht , têm um novo estudo mostrando evidências para apoiar essa afirmação, demonstrando que quanto mais poderosa uma pessoa se sente, menor é a resposta de seu sistema de espelho no cérebro, ou seja, menor a sua capacidade de sentir empatia.
 Outro pesquisador que tem estudado a relação entre poder e empatia é Dachner Keltner.
" O que estamos descobrindo é que o poder diminui todas as variedades de empatia ", diz Keltner , psicólogo social da Universidade da Califórnia, em Berkeley. Ele diz que estes resultados se encaixam em uma tendência nas pesquisas psicológicas que tem estudado a empatia. 
" Se você está com uma equipe no trabalho [ ou ] no seu jantar em família, sempre podemos adaptar os nossos comportamentos com os comportamentos de outras pessoas", diz ele. " E o poder dá uma mordida nessa capacidade, nos tornando menos hábeis em perceber os outros, o que é muito ruim. "
A boa notícia, diz Keltner , que um campo emergente de pesquisas sugerem que pessoas em situações ou posições de poder podem ser treinadas de volta ao seu eu compassivo.

E você já experimentou alguma dose de poder? E como você se saiu?

Da empatia para a compaixão: como estão as suas relações de ajuda?



             Depois de um tempinho sem novos posts, trazemos hoje uma reflexão importante para quem trilha o caminho do aperfeiçoamento pessoal. Começamos em textos anteriores a tratar sobre as dimensões do processo que envolve a empatia, essa capacidade de perceber o outro a partir da sua própria realidade. Vimos que trata-se de um processo multifacetado que envolve aspectos cognitivos, emocionais e comportamentais.
                 As relações de ajuda envolvem a empatia, mas a grande meta é que elas envolvam a compaixão. Aliás, você sabe a diferença?
                  Podemos considerar que a compaixão é um refinamento, uma evolução do próprio processo empático. Na empatia, procuramos perceber como o outro sente, quais são suas necessidades. Na compaixão essa percepção é livre de julgamento e nos impulsiona para a ação sem interesse de retorno, porque já trata-se de um ato de gratidão.
                  Muitas vezes, por mais difícil que possa ser em admitir, nosso movimento de empatia, nos leva a relações de cooperação e ajuda ainda imaturos ou contaminados por nossas limitações. Esse é um processo natural que vai se lapidando e evoluindo ao longo do tempo. Para que essa evolução ocorra, é claro que se faz necessário buscarmos olhar não apenas para as necessidades dos outros, mas também para as nossas necessidades, especialmente aquelas tão bem guardadas no sótão da alma. 
              Esses tesouros empoeirados que fingimos não possuir são nossas carências e necessidades mais profundas que quando ignoradas podem causar vários efeitos em nós e nas relações com as pessoas que procuramos ajudar. 
 Vejamos alguns desses efeitos. 

- Rei no seu próprio castelo de areia: por incrível que pareça, as relações de ajuda ainda imaturas, podem nos dar a sensação de que somos maiores ou mais importantes do que as outras pessoas. Ao invés de nos tornarmos mais humanos, mais solidários com as lutas alheias, nos sentimos ilusoriamente cada vez mais especiais, superiores. As consequências disso são muitas. Teríamos que fazer um texto somente sobre esse tópico, mas vamos destacar a própria solidão como um dos principais efeitos. Quem eleva-se em importância perde a conexão com os outros, não consegue receber, ao mesmo tempo, tira do outro a dignidade de sentir-se capaz de lidar com as próprias dificuldades e retribuir. Que tipo de necessidade possui uma pessoa que eleva-se em importância? 

-    Eu determino quem, quanto e como o outro merece ajuda: o julgamento pode nos levar a sermos injustos, hostis, desrespeitosos e até cruéis em nossas relações de ajuda. Isso ocorre com mais clareza nos trabalhos voluntários, onde por não concordar ou aceitar o estilo de vida, o jeito de ser, as escolhas... de uma pessoa, deixamos de perceber e ajudá-la em suas reais necessidades. Isso também ocorre quando uma pessoa não aceita uma oportunidade que nós achávamos que ela necessitava.  Uma das consequências quando isso ocorre é nos percebermos maledicentes e injustos, justamente "no momento" escolhido para fazer o bem. Que tipo de necessidade possui uma pessoa que não consegue ser justa?

- Tomar um lugar que não te pertence: outro equívoco que cometemos é tomar o lugar de outras pessoas na vida de quem estamos ajudando... tomamos o lugar do pai, da mãe, do irmão, do médico, do psicólogo... e isso sem dúvida traz consequências, especialmente criando relações de dependência que só enfraquecem ambos envolvidos. Não devemos e nem precisamos tomar o lugar de ninguém para estabelecermos relações de importância afetiva. Aliás, às vezes quem ajuda, precisa retirar-se rapidamente, deixando o outro seguir seu caminho com dignidade.Que tipo de necessidade possui uma pessoa que toma o lugar do outro na vida de quem se ajuda?

- Eu espero por retribuição: há uma parte em nós que lá no fundo espera que a vida nos proteja ou retribua todo bem que fazemos, ou ainda que nossas dificuldades sejam amenizadas. Esperamos, muitas vezes ainda, que quem nós ajudamos, nos seja grato. Mas nem sempre as coisas acontecem dessa forma. Nas relações entre amigos, entre casais, a retribuição é muito importante na manutenção do equilíbrio. Nas relações de ajuda, oferecemos aos outros o que vida já nos deu em abundância, estamos apenas retribuindo. Quando estamos desconectados dessa percepção, nos sentimos insatisfeitos, vazios... a ajuda perde seu propósito. Que tipo de necessidade possui uma pessoa que ajuda já esperando algum tipo de retribuição?

          Se você se identificou com algum desses aspectos, que bom!! Esse é um sinal que você está no caminho... no caminho que nos leva da empatia à compaixão. Não desanime ou desista. Permita-se ter um tempo com você e analisar como estão as suas relações de ajuda.
       Agora que já fizemos algumas reflexões, colocamos a seguir um video do canal da Ame Editorinha no youtube, sobre um convite ao serviço de fazer o bem. Você aceita?




Você tem flexibilidade mental? Na rota da empatia e da compaixão



             A imagem ilustra bem  um dos propósitos de discussão deste post: a nossa capacidade de transitar, de perceber o outro. Em uma sociedade materialista e competitiva, perceber o outro torna-se algo necessário quando nos parece que vamos ter algum benefício nisso. Não estou dizendo com isso que você seja assim, mas a verdade é que não somos estimulados a sair da nossa própria bolha de verdades, crenças, sentimentos e sensações.
                  Empatia é como viajar para um país estrangeiro e buscar aprender aquele idioma, a história daquele lugar, conversar com os locais, experimentar a comida, a música,saber de suas necessidades, etc. Nós fazemos isso com muitas pessoas, procuramos nos aproximar do seu ponto de vista. Para nós essas pessoas são como lugares que adoramos visitar.Países que nos parecem encantadores e bonitos de dizer aos outros que conhecemos. Ao mesmo tempo, assim como ocorre com os lugares, com outras pessoas temos os nossos (pré)conceitos... Vemos essas pessoas como lugares feios, fedidos, perigosos, pouco dignos, insignificantes ou até vergonhosos de dizer que iremos conhecer.  "Não vou porque já fui e não gostei", "Não degusto porque já experimentei e conheço o sabor", "não vou porque me disseram que não presta", etc. 
                  Você já parou para observar quantos conceitos e (pré) conceitos nós temos sobre as pessoas e suas culturas... gaúchos são assim, baianos são todos assado, paulistas são daquele jeito, americanos são todos iguais, muçulmanos são..., budistas são... e assim vamos com uma lista infindável de crenças que muitas vezes nos impedem de sair da nossa bolha, de conhecermos outros "lugares emocionais". Deixamos de ir para outros territórios, não por falta de oportunidade, mas porque acreditamos que não vale a pena sair da própria bolha. Afinal, minha bolha é a melhor, mais bonita e mais correta. 
          Flexibilidade mental é indispensável para o exercício empático. A flexibilidade mental é a capacidade de ir até o território do outro, ver o que ele vê, sente e pensa, para então voltar para o seu próprio lugar transformado, com renovados pontos de vista.
            Muitas vezes precisamos nos desprogramar, desbastar velhas crenças que foram sendo formatadas ao longo dos anos e quiça milênios.Nossas crenças podem estar envolvidas não apenas de aspectos limitantes, mas também agressivos.
                  Marshall Rosenberg, autor de diversos livros e programa em torno da "Comunicação Não Violenta" afirma que quando nos remetemos à violência logo imaginamos comportamentos como bater, xingar, agredir. E por isso, facilmente afirmamos que não somos violentos. Segundo ele, todos nós temos uma boa dose de violência para trabalhar internamente. A maledicência, a exclusão, o menosprezo velado,o julgamento, a rispidez na palavra, a rigidez mental em torno da análise do comportamento alheio são exemplos de agressividade. 
                    Quantas vezes você não formou uma ideia sobre uma pessoa, baseado no que disseram sobre ela ou sobre o que te contaram sobre sua história?
              Por essa razão, Marshall baseia seu programa em um exercício paulatino de empatia e compaixão. Sem empatia e compaixão, não é possível termos uma comunicação verdadeiramente pacífica, verdadeiramente compassiva. Marshall trabalha com princípios de honestidade emocional.
                Rigidez mental é uma barreira tanto para observar o outro, como a si mesmo. Rigidez mental é uma barreira muitas vezes, para que você mesmo mude e avance nas suas ideias e percepções. Nossas crenças devem nos ajudar na conexão com nossa natureza compassiva e não tornarem-se, apesar do discurso contrário, algo que nos afasta das outras pessoas. Rigidez é proteção e também agressividade.Flexibilidade mental, por sua vez, não é mudar de ideia toda hora, ser "maria vai com as outras" ou inconstante na forma de pensar e agir. Flexibilidade mental é permitir-se perceber o outro a partir do olhar do outro, com o objetivo de compreender o seu ponto de vista e suas necessidades. Flexibilidade mental é o componente cognitivo do processo empático.
                Uma célebre pesquisa na área da psicologia da educação, da década de 60, mais conhecida como "Profecia Realizadora" revela a gravidade de tratarmos os outros conforme nossos (pré)conceitos. Em síntese, a pesquisa foi feita para observar se os professores modulariam seu comportamento com os alunos, em função, da "ficha" que receberam de cada um deles. A pesquisa foi feita de forma que havia um grupo controle e um grupo onde as "fichas" foram manipuladas, ou seja, de maneira aleatória o professor recebeu informações sobre os alunos que não necessariamente condiziam com a realidade. O resultado da pesquisa foi surpreendente. Alunos com histórico escolar excelente (sem que o professor soubesse) com uma ficha depreciativa, pioraram o seu rendimento. Alunos com histórico escolar de baixo desempenho, com uma ficha positiva, melhoraram muito o seu rendimento.
      Será que nós tratamos as pessoas a partir da ficha que recebemos ou criamos? Como ser empático a partir de uma "ficha suja" que concebemos do outro? 
             Será que somos tratados por nossos mentores espirituais a partir da nossa "ficha suja"? Definitivamente não. 
             No post de hoje o exercício é voltado para os adultos.
             Primeiro procure avaliar de 0 a 10, o quanto você considera  a sua flexibilidade mental?
             Para ajudar algumas perguntas:
              - A primeira impressão sempre fica para você?
              - Que tipo de pessoa você não tem vontade de conhecer?
              - Quais os assuntos você não se considera flexível?
              - Que tipo de pessoa te incomoda?
        - Em quais aspectos suas palavras estão muito longe da prática?
              - Você observa os seus próprios sentimentos? O ciúme ou a inveja influenciam na forma como você percebe os outros?

               Depois de fazer a avaliação, o exercício a seguir, deve ser feito um dia de cada vez. Ou seja, faça o exercício ao longo de um dia e depois repita sempre que quiser.
                 Ao acordar, decida mentalmente que irá fazer o exercício da percepção mental.
                 Ao encontrar com a primeira pessoa, fora da sua casa, observe essa pessoa. Procure não estabelecer nenhum julgamento do que te agrada ou não nela. Apenas observe. Em seguida, observe como você se sente ao observar essa pessoa. Quais necessidades suas estão ligadas a esses sentimentos que você identificou? 
 Agora tente imaginar que você está no lugar dessa pessoa. O que muda nas suas percepções? Qual conclusão você chega?
               Faça isso inclusive, com pessoas que você tem dificuldade de relacionamento e, lembre-se o objetivo é  perceber e compreender as suas e as necessidades do outro.
                   Até a próxima!